quarta-feira, 27 de abril de 2016

minhocas na cabeça



(tirada do google, se alguém 
conhecer o autor, por favor, me diga)


Para o Guilherme Rondel, que me fez sorrir...

Outro dia, decidi reunir alguns alunos para conversar. Primeiro três. Depois outros três. Mais três. E acabei conversando com algumas salas. Gosto de conversar. Porém, o que me levou ao diálogo com as turmas foi a conversa que tive com os primeiros três. Falei de como eu percebo o que é educação (estou sempre falando sobre isso). Da responsabilidade de todos os atores da comunidade escolar para que ela seja de qualidade. E por aí naveguei. Lá pelas tantas, eu disse que minha cabeça é cheia de coisas e o Guilherme prontamente me falou: É cheia de minhocas! Rimos muito. Depois olhei pra ele e disse: "isso vira um artigo acadêmico: "Da necessidade de criarmos minhocas na cabeça dos que habitam o espaço escolar." Rimos um pouco mais. 
O fato foi que voltei para casa com aquela imagem. Minhocas, como bem sabemos, são serzinhos molengas, que passeiam pela terra arejando-a, tornando-a excelente para o cultivo. O que me levou a pensar que talvez nos falte minhocas-ideias, serzinhos que não sejam rígidos, mas molengas passeadores pelo território da nossa cabeça. Que afofem nossos pensamentos e permitam o cultivo de sonhos. Pensei no poema de João Cabral de Melo Neto: 
 "Um galo sozinho não tece uma manhã: 
ele precisará sempre de outros galos. 
De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro  
de um outro galo que apanhe 
o grito de um galo antes  e o lance a outro; 
e de outros galos que com muitos outros galos
 se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, 
para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos."

Parafraseando João, eu diria:

"Uma minhoca sozinha não faz uma terra adubada,
ela precisará de outras minhocas.
E de alguém que lançando minhocas para cabeças de outros
areje muitos terrenos 
e torne muitas cabeças enminhocadas
lugares adubados,
espaços férteis para o plantio de sonhos".

O grande perigo para algumas pessoas, seria encher um espaço escolar de cabeças-jardins. Florescentes lugares de acreditar em si e no outro! Sorri novamente, desta vez por pensar que o Guilherme tem toda razão, minha cabeça é cheia de minhocas, que sorte a minha!


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